sexta-feira, 1 de março de 2013

Programe-se! III Jornadas de Lutas da Mulher

As Jornadas de Lutas da Mulher surgiram em 2011, no intuito de fomentar, em diferentes espaços, várias temáticas que cercam as lutas das mulheres para além de uma simples comemoração de um dia em março. Esse ano, em sua terceira edição, optamos por somar coro com várias mulheres e movimentos do Brasil em busca de um uníssono "Já Basta!" pelo fim da violência contra a mulher e buscando abordar temas que  nos bateram quase que diariamente à porta em 2012: As estatísticas de violência contra a mulher no estado, assassinatos brutais em nome da conservação e propagação do patriarcado e as inúmeras reportagens e repercussão do descaso do Governo de Alagoas com a saúde pública e principalmente saúde obstétrica.  Segue abaixo a programação oficial das III Jornadas de Lutas da Mulher, esse ano, abraçando a V mostra de filmes da Resistência Popular Alagoas.




Programação da V mostra de filmes da Resistência Popular dentro das III Jornadas de Lutas da Mulher:

DIA 04/03 – ABERTURA DAS JORNADAS
TEMA: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
CURTA: DA JANELA – ENTRE A VISUALIDADE E A OMISSÃO, 15’ (2009)
De Giovana Zimermann 
Sinopse: A história mostra uma fotógrafa que pesquisa a violência contra a mulher, tendo como foco a banalidade com que o tema é encarado, especialmente quando é abordado pelos telejornais. Chama-se Marta, mora no centro da cidade, onde também tem seu estúdio, e de lá enxerga muitos apartamentos, mais precisamente muitas janelas. Personagem central que não aparece de frente, ela abre uma janela através dos seus olhos e do seu imaginário, possibilitando ao espectador transitar por esse universo emaranhado de submissão, opressão e completo descaso. 

DIA 05/03 – DEBATE NA UFAL
TEMA: VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA
DOCUMENTÁRIO: VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA – A VOZ DAS BRASILEIRAS, 51’ (2012)
De Bianca Zorzam, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Franzon, Kalu Brum e Armando Rapchan. 
Sinopse: Em 2010, os dados sobre a violência da pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado, realizada pela Fundação Perseu Abramo e o SESC, chamaram muito a atenção do grupo. E um dado se destacou: uma cada quatro mulheres (25%) relatou ter sofrido algum tipo de violência na hora do parto. Entre as possíveis formas de abusos e maus-tratos, sobressaíram: exame de toque doloroso, recusa para alívio da dor, não explicação de procedimentos adotados, gritos de profissionais ao ser atendida, negativa de atendimento, xingamentos e humilhações. Além disso, 23% das entrevistadas ouviu de algum profissional algo como: não chora que ano que vem você está aqui de novo; na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe; se gritar eu paro e não vou te atender; se ficar gritando vai fazer mal pro neném, vai nascer surdo. Dia 25 de novembro de 2012, o videodocumentário foi lançado para dar mais visibilidade à violência obstétrica e desnaturalizar as infrações aos direitos das mulheres, que são cometidas pelos profissionais de saúde e muitas vezes passam desapercebidas. 

DIA 07/03 – CINE POPULAR
TEMA: VIOLÊNCIA SEXUAL
DOCUMENTÁRIO: CANTO DE CICATRIZ, 37’ (2005) 
De Laís Chaffe 
Sinopse: Documentário sobre um tema difícil, cercado de tabus e pactos de silêncio: a violência sexual contra meninas. Depoimentos de vítimas que relatam detalhes dos abusos sofridos intercalam-se a comentários de especialistas, desenhos feitos por crianças abusadas, filmes de ficção e enquetes nas quais ficam evidentes os mitos e preconceitos envolvendo o assunto.

TODAS E TODOS ÀS III JORNADAS!
PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PRESOS POR LUTAR, A LUTA OS LIBERTARÁ!



Solidariedade aos presos políticos de Bariloche na Argentina!

Nós Organizações reunidas no 10º Encontro Latino Americano de Organizações Populares e Autônomas, realizado nos dias 25, 26 e 27 de janeiro de 2013 no município de Viamão, realizamos este Ato Público em Solidariedade a uma dezena de lutadores sociais argentinos do Movimento Social e Cooperativo 1º de Maio, presos pelo Estado Argentino acusados de incitarem uma série de saques de alimentos e mercadorias no mês de dezembro de 2012 em Bariloche, Río Negro na Argentina.
Há mais de 10 anos esses militantes sociais vêm se mobilizando e buscando alternativas contra o desemprego e toda a classe de injustiças, repressão, precarização das condições de trabalho, assassinatos à juventude pobre, derivadas das políticas de clientelismo e assistencialismo, únicas respostas dos governos as demandas populares.  No dia 20 de dezembro, em mais de 40 cidades da Argentina, centenas de famílias pobres decidiram tomar com suas próprias mãos alimentos de grandes supermercados, dando um basta à fome causada pela indiferença dos governos aos reclamos de trabalho e melhores condições de vida. Uma série de companheiros(as) da Cooperativa 1º de Maio foram então acusados de incitarem os saques em Bariloche e presos. Junto com eles foram detido pessoas que participaram dos saques e outras que saíram as ruas em solidariedade exigindo a libertação desses lutadores.  
Estes fatos estão inseridos em um contexto de criminalização do protesto e das mobilizações populares; de tentativa de desestruturar o trabalho daqueles que não se enquadram na lógica paternalista e clientelista dos governantes argentinos; e no processo de redução salarial e precarização das condições de trabalho para que as grandes empresas possam lucrar cada vez mais.
É por isso que saímos às ruas em Solidariedade, gritando:
Mão estendida aos companheiros! Punho cerrado aos inimigos!
  

Liberdade aos lutadores sociais do Movimento

 Social e Cooperativo 1º de Maio!
10º ELAOPA, Rio Grande do Sul, Brasil – 2013
Sindicato Unico de Automoviles con Taximetro y Telefonistas – SUATT (Montevideo), Sindicato Bancario - Uruguay, Ateneo Santa Catalina (Montevideo), Ateneo Germinal (Montevideo), Ateneo "Pocho Rios " (Montevideo), Ateneo Carlos Molina (Montevideo), Ateneo del Cerro (Montevideo), Tendencia Wellington Galarza (metalurgicos de Uruguay), Cooperativa La Resistencia (Montevideo), Agrupación Liceos Populares (Montevideo), Plenaria Memoria y Justicia (Montevideo), Parinacota TV (Santiago, Chile), Organização Popular (RJ, Brasil), MNCR- Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Reciclavéis (Brasil), MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens (Brasil), MTD Pela Base (Movimento dos Trabalhadores Desempregados (RJ, Brasil), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – (RS, Brasil), MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores (Brasil), Vía Campesina (Brasil), MCP - Movimento das Comunidades Populares (Brasil), Quebrando Muros (PR, Brasil), Mães de Maio (Movimiento Madres de Mayo), Radio da Juventude (SP, Brasil), Base Popular (Brasil), Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (AL, Brasil), Resistencia Popular (PE, Brasil), SinDUFFS Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal da Fronteira Sul, Comuna Pachamama -MST- (RS, Brasil), Resistência Popular (RS, Brasil), Resistência Popular (SC, Brasil), Laboratorio de Medios Autonomos (Brasil), Cooperativa Cempal, Espaço Libertário Moinho Negro (RS, Brasil), Protopia, Coletivo Negada, Radio Livre Laberintos 107,7, ADUFFS Associação dos docentes da UFF (Brasil), Autonomos FC (Futbol Club), GEP (Grupos de Educacao Popular, Rio de Janeiro), Organizaçao Anarquista Terra e Liberdade (RJ), Resistência Popular (AL, Brasil), Coletivo Mulheres Resistem (AL, Brasil), FOB - Federación de Organizaciones de Base (Argentina)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

X ELAOPA convoca:

Mobilização em solidariedade às presas e aos presos políticos de Bariloche (AR).
05 de fevereiro

quinta-feira, 8 de março de 2012

Assédio moral contra a mulher no trabalho: marcas que uma rosa não apaga.



 O assédio moral no ambiente de trabalho pode ser conceituado como “a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comum em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego".

Considerando o recente processo histórico de inserção das mulheres no mercado de trabalho e a ainda persistente colocação em cargos de nível inferior e/ou com salários significativamente inferiores aos dos homens – questões diretamente influenciadas pelas relações desiguais de gênero, às quais são determinadas pelo modelo patriarcal e machista da sociedade em que vivemos – podemos afirmar que as mulheres são o perfil da classe trabalhadora que mais sofrem assédio moral nas relações de trabalho. 

A ideia de que uma maior eficiência, capacidade laboral, biológica e intelectual são maiores no homem que na mulher, além de questões como a imposição social da mulher também ter que executar serviços domésticos em seu lar e o constante ‘medo’ de perder o emprego devido ao afastamento por uma gravidez fazem com que as mulheres sejam constantemente submetidas à situações discriminatórias e/ou vexatórias em seu ambiente de trabalho.

Contudo, é sabido que essas situações são, majoritariamente, veladas. Atitudes dos empregadores como a comemoração do 8 de março – e a entrega de rosas nesse dia – nada mais são que um mecanismo para mascarar toda a desestabilização emocional e psíquica e os ataques à dignidade e identidade como conseqüência de inferiorização e humilhações sofridas cotidianamente por mulheres no trabalho. 

Que neste 8 de março, em nossos locais de trabalho, ao invés de recebermos rosas e belas mensagens, exijamos um ambiente de trabalho digno, sem violência, ético e que respeite e valorize a mulher enquanto trabalhadora! 
LUTA MULHER!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Uma Guerreira Alagona*

O Guerreiro é um auto natalino que tem o sincretismo religioso e cultural em suas peças e em suas danças, criado em finais da década de vinte do século de XX. “Um Reisado Moderno”, como definiram estudiosos da cultura popular alagoana.

Da fusão dos caboclinhos (dança), do reisado, de elementos afro-religiosos e do catolicismo popular, surgiu o Guerreiro. Uma das características dessa dança tradicional de nossa terra são os diversos personagens que a compõe, entre eles: rainhas, reis, bumba meu boi e o índio Peri. Cabe ressaltar que quem fica à frente do grupo é o mestre o contra-mestre. Geralmente, os folguedos tradicionais da cultura alagoana são regidos ou conduzidos por homens, contudo fato interessante é que existe em Teotônio Vilela um grupo de Guerreiro em que suas lideranças são duas senhoras e neste espaço nos dedicaremos ele: o “Guerreiro Vilelense Mimo do Céu”.

Este grupo possui como criadora, coordenadora e mestra, a dona Cícera. Essa representante da arte alagoana, desde criança contribuiu para a valorização deste folguedo, não se conformando com a ausência de políticas públicas de incentivo ao Guerreiro mestra Cícera (com aproximadamente 70 anos de idade), organizou o primeiro e único Guerreiro da cidade ( na zona da mata alagoana). Juntamente com sua contra-mestre, Dona Francisca, as mesmas confeccionam, com recursos próprios, os adereços usados nos ensaios e apresentações.


Dona Cícera, mestra de guerreiro.











Em uma sociedade onde prevalecem os valores patriarcais e machistas, em que a mulher muitas vezes era impedida de se organizar, dona Cícera levou o Guerreiro para todos os lugares onde pode, mesmo contra a vontade de seu ex-marido ficou à frente dessa dança.
A atual formação do grupo é de 25 crianças e adolescentes, sendo 24 meninas, que olham na imagem da dona Cícera e da dona Francisca um exemplo de dedicação e autonomia feminina, em uma sociedade em que a mulher e as manifestações culturais são subestimadas pelo meio público e privado.
 O desejo é de que essas meninas, dentro do folguedo, produzindo e propagando a arte e cultura alagoana e, acima de tudo, possam conviver em um espaço de interação, o qual lhes seja permitido e incentivado ser protagonistas de sua própria história.
 

*Fragmento de pesquisa, escrito por Juliana Gonçalves, graduanda em História na Universidade Federal de Alagoas. Cedido pelo autora.
Imagens: Arquivo pessoal da pesquisadora.

segunda-feira, 5 de março de 2012

ATENÇÃO: Atividade na UFAL

A atividade realizada na UFAL irá acontecer no antigo CSAU, bloco dos cursos de saúde, localizado atrás da Biblioteca Central.

No bloco haverá sinalização levando à sala correspondente!


8 de março: Por que as mulheres devem resistir?

- O Coletivo Mulheres Resistem saúda a todas e todos os visitantes e participantes das II Jornadas de Lutas da Mulher! -

É chegado o mês de março e tudo se volta para o “universo da mulher”: A mídia impulsiona o mercado, que se enche de flores, utensílios domésticos e liquidações de vestuário. Porém, numa sociedade nada laica, que ainda encara a legalização do aborto como uma questão religiosa e todos os ataques machistas sofridos pela mídia burguesa – em forma de propagandas e stand ups -, como piadas, não é novidade a transformação de nossas datas de memória e luta em festa.
Não se sabe ao certo das origens do 8 de março, se em memória à greve das trabalhadoras têxteis ou uma conquista “in parlamento” de uma data para comemoração internacional, em reconhecimento. A questão é que, há anos muitas mulheres vem se abstendo da reivindicação da idéia que são humanas como qualquer homem, o que significa que é legítimo ser representada como tal e não por uma rosa ou um pano de prato.
O 8 de março deve nos lembrar de todas as mulheres que morreram nos fronts em busca de libertação, de todas que estão vivas na luta pelos nossos direitos e principalmente das que sofrem todos os dias pelas imposições de uma sociedade patriarcal e capitalista.
Se as escolas ensinam os filhos a agradarem às mães, deveriam lhes ensinar que todos somos iguais e livres, ‘deseducando-lhes’ o gênero; se a propaganda lembra ao marido de comprar presentes, deveria lembrar que a mulher é sua companheira e não propriedade e escrava, portanto, ele também é responsável pelas atividades domésticas e cuidado dos filhos; se o chefe lhe deixa um cartão à mesa, deveria deixar o correspondente a um salário digno do esforço pelo seu trabalho.
É neste intuito que o Coletivo Mulheres Resistem propõe as II Jornadas de Lutas da Mulher juntamente com o Cine Feminista, para atingir estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, donas e donos de casa, desempregadas e desempregados, lembrando-lhes o verdadeiro sentido da luta pela libertação humana, anticapitalista e antisexista! Não podemos e muito menos devemos mais tolerar a opressão da mulher em nossos meios de convivência!


As mulheres devem resistir, pois se não por elas sua libertação não virá!
As mulheres devem resistir, pois se não resistem não terão forças para lutar!

Viva o 8 de março!
Viva a resistência feminista!
Viva a resistência do povo e o poder popular!